
Pangolins estão concentrados na África e Ásia; atualmente, estão em extinção

Com escamas duras, parecidas com armadura por todo o corpo e cauda; pés com cinco dedos e garras afiadas; e uma língua semelhante a um verme que pode se estender até 25 cm, o pangolim se parece mais com um dinossauro do que com um mamífero.

“Eles nos lembram o passado por causa do modo como caminham nas pernas traseiras e carregam as perninhas dianteiras levantadas. É quase como um pequeno T-Rex caminhando”, diz o fotógrafo de vida selvagem e guia de safári Tristan Dicks, que vive na África do Sul. “Você sente que há uma ligação com um tempo que já passou.”

Os pangolins existem há 80 milhões de anos — os humanos, apenas 350 mil. Mas o futuro deles é incerto. Encontradas na Ásia e na África, todas as oito espécies existentes de pangolim estão listadas como ameaçadas em vários graus pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

A foto de Dicks de um pangolim-de-Temminck está em destaque na capa de “10 years of Remembering Wildlife” (“10 Anos Lembrando a Vida Selvagem”), o mais recente de uma série de livros de fotografia do projeto Remembering Wildlife, que doa seus lucros para esforços de conservação.

Fundada em 2015 pela fotógrafa Margot Raggett, a iniciativa produziu um livro de fotografia dedicado a um tipo de animal ameaçado de extinção a cada ano, arrecadando mais de US$ 1,55 milhão (cerca de R$ 8 milhões) desde o início, de acordo com a Remembering Wildlife. Na edição deste ano, o pangolim está em destaque.
Os pangolins são o mamífero mais traficado ilegalmente do mundo, com a caça furtiva impulsionada pela demanda por sua carne e por suas escamas de queratina, que são usadas predominantemente na medicina tradicional sem comprovação científica.
A Dr. Wendy Panaino, ecologista que escreveu uma seção dedicada aos pangolins no livro, explica que “o que os torna particularmente vulneráveis à caça furtiva é o seu comportamento lento. Eles não fogem, o que os torna fáceis de serem capturados por humanos.”
Mais de 136 mil pangolins foram comercializados ilegalmente entre 2010 e 2023, em quase 400 casos de contrabando. A China é o maior mercado para o tráfico ilegal de pangolins. Embora mudanças recentes na legislação chinesa e na fiscalização sobre o uso de escamas de pangolim tenham resultado em uma ligeira redução na caça furtiva, o comércio continua desenfreado.
É difícil estimar os números exatos de tráfico, mas Raggett afirma que, na taxa em que se estima que a caça furtiva esteja ocorrendo, 1 milhão de pangolins terão sido capturados nos 10 anos em que ela tem administrado a série Remembering Wildlife.
“Quando percebi isso, me senti realmente péssima. Então, eu, na verdade, peço desculpas aos pangolins por não ter chegado a eles até agora”, diz Raggett.
A caça furtiva não é o único desafio provocado pelo homem que os pangolins enfrentam.
“Na África Austral, cercas eletrificadas são uma enorme ameaça aos pangolins, dado o seu hábito defensivo de se enrolar em uma bola quando ameaçados”, diz a Dr. Panaino. “Eles andam nas pernas traseiras, [então] a eletricidade entra em contato frequentemente com a barriga, e então eles se enrolam em uma bola e são constantemente eletrocutados.”
Sabe-se relativamente pouco sobre os pangolins, porque eles são muito raramente vistos na natureza.
“Nós nem sequer sabemos quantos pangolins existem”, diz Raggett. “Uma das razões pelas quais hesitei em [incluir] os pangolins é que é muito difícil conseguir fotografias decentes deles na natureza, porque eles são incrivelmente secretos e noturnos.”
Consequentemente, pela primeira vez na série Remembering Wildlife, o projeto flexibilizou suas regras habituais de ‘apenas na natureza’ para permitir fotos de pangolins soltos de volta na natureza e de pangolins em santuários.
Dicks capturou sua imagem de um pangolim à noite em Sabi Sands, uma reserva de caça privada adjacente ao Parque Nacional Kruger, na África do Sul.
“Em 17 anos de guia, eu vi apenas 15 deles”, diz ele. “Sempre pareceu que uma fotografia de um pangolim estava fora de alcance.
“Eu tive sorte… com aquela imagem em particular, de que o pangolim saiu de uma toca e atravessou a estrada enquanto estávamos chegando.”
Um relatório recente da IUCN descobriu que a falta de dados e as lacunas nos relatórios estão dificultando os esforços para proteger o animal.
Tanto Raggett quanto Dicks esperam que o livro de fotografia aumente a conscientização sobre os pangolins e apoie os esforços de conservação.
“Muitas pessoas que vêm para um safári pela primeira vez nunca ouviram falar de um pangolim”, diz Dicks. “Portanto, se pudermos criar fotografias com as quais as pessoas possam se conectar, isso fará uma enorme diferença.”
Raggett concorda: “As pessoas têm que amar algo para querer protegê-lo e ter medo de perdê-lo”, diz ela. “As pessoas me disseram: ‘Eu nunca tinha ouvido falar deles [dos pangolins] até você dizer que estava fazendo um livro sobre eles’, e de certa forma… isso é bom. Prova que estamos fazendo nosso trabalho, que estamos aumentando a conscientização sobre este adorável, lindo e carismático animalzinho que mais pessoas precisam conhecer.”

